Em uma nova fase, o atleta segue trabalhando para conquistar seu espaço e provar, dentro e fora do ringue, que é possível dar a volta por cima e escrever uma nova história através do esporte.
Aos 23 anos, Cheriton Schmith dos Reis encontrou no boxe muito mais do que uma modalidade esportiva. Depois de uma adolescência marcada por dificuldades, experiências negativas e momentos de revolta, foi através da luta que encontrou um caminho de transformação pessoal e, posteriormente, a oportunidade de construir uma carreira como esportista.
Hoje, conhecido no ringue pelo apelido de “Ghost”, o boxeador semiprofissional da categoria até 70 kg vive uma nova fase da vida, marcada por dedicação, disciplina e conquistas.
O contato com as lutas começou ainda na infância, mas foi aos 14 anos, ao ingressar em um novo centro de treinamento, que Cheriton passou a conhecer de fato os fundamentos da modalidade e a enxergar o esporte de outra maneira. A mudança de ambiente e de orientação foi determinante para sua trajetória. Depois de anos difíceis, encontrou no treinamento uma forma de canalizar sua energia e construir novos objetivos.
A adolescência também foi marcada por momentos de revolta e por escolhas das quais hoje se distancia. A perda da avó, em 2021, e da mãe seis meses depois foram acontecimentos que aprofundaram um período delicado de sua vida. O processo de luto e as experiências acumuladas fizeram com que Cheriton passasse por uma fase difícil, até perceber que precisava mudar. Com amadurecimento e reflexão, decidiu deixar para trás comportamentos e companhias que não faziam mais parte da pessoa que desejava ser.
Foi nesse processo de transformação que o esporte ganhou ainda mais importância. O boxe passou a representar disciplina, responsabilidade, respeito e a possibilidade de construir um novo futuro. Com empenho, dedicação e força de vontade nos treinamentos, Cheriton vem conquistando espaço dentro da modalidade e transformando os resultados obtidos em motivação para seguir evoluindo.
Atualmente, o atleta integra a equipe Thai Gladiadores, de Flores da Cunha, onde mantém uma rotina intensa de preparação sob o comando do mestre Adenilson Fagundes, a quem considera uma figura paterna e por quem demonstra profunda gratidão e lealdade.
Há três anos no atual centro de treinamento, Cheriton encontrou no ambiente esportivo não apenas uma equipe, mas uma família e uma estrutura para continuar desenvolvendo sua carreira.
O trabalho realizado nos treinamentos já começa a ser traduzido em resultados. Cheriton soma seis lutas na carreira, com cinco vitórias e uma derrota, além de ter conquistado recentemente o cinturão da 1ª edição da Copa Nova Prata de Esportes de Contato, feito que representa mais um passo importante em sua trajetória.
A conquista também simboliza uma nova etapa para o atleta. Se no passado o boxe esteve ligado à necessidade de se defender e superar situações difíceis, hoje a modalidade representa profissão, disciplina, realização pessoal e perspectiva de futuro. Dentro do ringue, Cheriton busca evoluir como atleta; fora dele, procura ser uma pessoa diferente daquela que um dia acreditou que precisava ser.
Nessa caminhada, o boxeador também faz questão de reconhecer as pessoas que contribuíram para sua transformação. Entre elas está Marcelo Rocha, seu professor antes da chegada a Flores da Cunha, a quem considera como um pai e agradece pelos ensinamentos que recebeu. Da mesma forma, destaca a importância do mestre Adenilson Fagundes em sua atual trajetória.
A família também ocupa um lugar especial em sua vida, especialmente a irmã Chaiane Schmith, os sobrinhos Arthur e Sofia e o cunhado Logan, que, segundo Cheriton, foram importantes durante sua caminhada. Ele lembra também do melhor amigo de infância, Lucas Souza, que acompanhou toda a trajetória.
Mais do que cinturões e vitórias, a história de Cheriton representa o poder que o esporte pode exercer na transformação de uma pessoa. O boxe não apagou as dificuldades do passado, mas ajudou a dar a elas um novo significado e abriu espaço para um futuro construído com disciplina, dedicação e objetivos. Agora, em uma nova fase, o atleta segue trabalhando para conquistar seu espaço e provar, dentro e fora do ringue, que é possível dar a volta por cima e escrever uma nova história através do esporte.
Texto: Maicon Pan / Site Piccolo Esportivo
Foto: Equipe Thai Gladiadores / Divulgação